OPINIÃO – No meio de várias discussões sobre o peso cada vez maior da dívida do Estado, surgiu uma visão que afirma que o crescimento da dívida não é o resultado do investimento no desenvolvimento produtivo, mas sim o resultado de actos de corrupção levados a cabo por alguns funcionários com autoridade. O quadro que emerge desta realidade mostra uma situação alarmante, onde os fundos que deveriam ser utilizados para construir infra-estruturas, melhorar os serviços públicos e estimular a economia desaparecem sem deixar vestígios por causa de mãos irresponsáveis.
Este abuso de poder pode ser visto de várias formas. Vários projectos de desenvolvimento propostos com grandes orçamentos nunca foram concluídos de forma óptima, ou mesmo tornaram-se projectos “no papel” que funcionavam apenas como um meio de canalizar fundos do Estado para contas pessoais ou de determinados grupos. As dotações orçamentais que deveriam ser atribuídas à construção de estradas, pontes, habitações populares ou instalações de saúde e educação registam frequentemente irregularidades nos processos de planeamento, implementação e monitorização.
Além disso, as práticas corruptas também ocorrem sob a forma de aquisições não transparentes de bens e serviços. O preço do contrato é fixado muito acima do valor real de mercado, por motivos pouco claros ou por documentos elaborados unilateralmente. Os funcionários envolvidos colaboram frequentemente com entidades privadas irresponsáveis ​​para obter lucros pessoais, enquanto o Estado deve suportar o peso da dívida cada vez maior sem obter quaisquer benefícios destas despesas.
O impacto desta condição é sentido por todos os níveis da sociedade. A dívida do Estado acumulou-se não por causa do desenvolvimento benéfico, mas por causa do roubo, forçando o Estado a desviar o orçamento de sectores importantes para pagar prestações e juros da dívida. Isto provoca limitações na prestação de serviços públicos, crescimento económico lento e aumento das disparidades sociais. Além disso, a confiança das pessoas no governo também diminuiu drasticamente, porque elas vêem que os recursos estatais que deveriam ser para o bem-estar comum são na verdade tomados por um pequeno número de pessoas que só se preocupam consigo mesmas.

O Impacto dos Níveis de Corrupção no Crescimento da Carga da Dívida
O nível de corrupção, que ainda é um desafio na Indonésia, está intimamente relacionado com a dinâmica do crescimento da dívida estatal. Embora a dívida do Estado possa ser basicamente um instrumento de desenvolvimento económico, as práticas corruptas a vários níveis de governo fizeram com que parte do peso da dívida não proporcionasse os benefícios que deveriam ser obtidos pela sociedade, e até pioraram o fardo financeiro do Estado.
Como a corrupção afeta o crescimento da dívida nacional

Apropriação indébita do orçamento do projeto de desenvolvimento: Muitos projectos de infra-estruturas financiados pela dívida estatal ou por empréstimos estrangeiros registam aumentos de preços injustos devido ao conluio entre funcionários e actores empresariais. Como resultado, o orçamento gasto é muito maior do que o seu valor real, pelo que o país tem de contrair mais dívidas para concluir o mesmo projecto. Vários casos de projectos que estavam paralisados ​​ou que não funcionavam de forma óptima também resultaram em despesas com dívidas em vão.

Aquisição não transparente de bens e serviços: O processo de aquisição em diversas agências governamentais muitas vezes não cumpre os princípios de justiça, transparência e responsabilização. Os contratos são celebrados com certas partes a preços que excedem os padrões de mercado, sendo que alguns dos fundos que deveriam ser utilizados para adquirir bens ou serviços vão, na realidade, para os bolsos de indivíduos corruptos. Isto aumenta a carga de despesas do Estado, que terá então de ser coberta através de dívida adicional.

Fraude na gestão de fundos públicos: Alguns funcionários abusam da sua autoridade para desviar fundos estatais provenientes de empréstimos ou receitas estatais para contas pessoais ou de determinados grupos. Os fundos que deveriam ser utilizados para programas de desenvolvimento ou para a melhoria dos serviços públicos perdem-se, pelo que o governo deve procurar outras fontes de financiamento através da dívida para satisfazer as necessidades básicas das pessoas.

Dados e evidências empíricas
De acordo com o relatório da Transparency International Indonesia, o índice de percepção da corrupção (IPK) da Indonésia ainda está num nível que requer melhorias significativas. Vários casos importantes de corrupção revelados pela Comissão de Erradicação da Corrupção (KPK) mostram que o valor das perdas estatais causadas pela corrupção atinge biliões de rupias, a maioria dos quais relacionados com projectos financiados por dívida ou orçamentos estatais que deveriam ser atribuídos ao desenvolvimento. Estas perdas não só reduzem a utilização eficaz dos fundos estatais, mas também fazem com que o Estado tenha de aumentar a dívida para compensar as perdas sofridas ou continuar programas interrompidos.
Impacto na Sociedade e na Economia
A corrupção que causa dívida estatal improdutiva tem um impacto directo na vida das pessoas. Os fundos corrompidos não podem ser usados ​​para construir escolas, hospitais ou infra-estruturas necessárias, pelo que a qualidade dos serviços públicos permanece baixa. Além disso, o peso da dívida cada vez maior significa que o governo tem de desviar o orçamento de sectores importantes para pagar prestações e juros, o que acaba por abrandar o crescimento económico e aumentar a carga fiscal sobre a sociedade no futuro.

O nível de corrupção, que ainda é um desafio na Indonésia, está intimamente relacionado com a dinâmica do crescimento da dívida estatal. Embora a dívida do Estado possa ser basicamente um instrumento de desenvolvimento económico, as práticas corruptas a vários níveis de governo fizeram com que parte do peso da dívida não proporcionasse os benefícios que deveriam ser obtidos pela sociedade, e até pioraram o fardo financeiro do Estado.

JACARTA, 17 de janeiro de 2026
Dr. Hendri, ST., MT
Presidente dos Jornalistas Nacionais da Indonésia



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