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Projeto de lei sobre desinformação ameaça liberdade de expressão?



JACARTA – O governo indonésio está actualmente a trabalhar num projecto de lei (RUU) que visa combater a desinformação e a “propaganda estrangeira”. Esta medida, que foi instruída directamente pelo Presidente Prabowo Subianto, deu origem a um acalorado debate sobre o equilíbrio entre a protecção dos interesses nacionais e as garantias constitucionais da liberdade de expressão.

Segundo o Ministro Coordenador do Direito, Direitos Humanos e Imigração, Yusril Ihza Mahendra, legislação deste tipo é considerada crucial para proteger o país de narrativas potencialmente prejudiciais. Ele enfatizou a importância de manter a soberania da informação em meio ao rápido fluxo de informação global.

No entanto, as boas intenções por trás desta iniciativa não estão isentas de riscos potenciais. Investigadores e activistas de direitos humanos manifestaram profunda preocupação. Sem definições claras e precisas do que se entende por “desinformação” e “interesse nacional”, este projecto de lei tem o potencial de criar lacunas legais que podem ser utilizadas abusivamente para aplicação arbitrária, até ao ponto de suprimir a dissidência.

A própria Comissão Nacional de Direitos Humanos (Komnas HAM) define desinformação como informação falsa que é espalhada intencionalmente. No entanto, numa era digital complexa, onde a verdade está frequentemente sujeita à interpretação de várias partes – desde governos, académicos, até comunidades indígenas – as tentativas de erradicar a desinformação que se baseiam apenas numa única versão do governo podem levar à supressão de discursos legítimos e importantes.

A amarga experiência tem demonstrado que medidas repressivas deste tipo resultam frequentemente na criminalização dos críticos ou na criação de um clima tenso de medo. O incidente no final de Agosto de 2025, onde centenas de manifestantes foram detidos sob a acusação de incitamento simplesmente por expressarem aspirações que eram essencialmente uma forma de exercício legítimo da liberdade de expressão, é uma prova clara desta preocupação.

O mundo hoje se transformou. Os monopólios da informação entraram em colapso; todo cidadão agora tem capacidade de se tornar produtor e disseminador de conteúdo. Quando a informação contrária à narrativa estatal é rotulada como “propaganda estrangeira”, isto equivale a restabelecer um monopólio de informação. Esta acção viola claramente os direitos constitucionais dos cidadãos de conhecer e aceder à informação, um direito que é fortemente protegido pela Lei de Imprensa e pela Lei de Abertura da Informação Pública.

É necessário sublinhar que o panorama digital da Indonésia continua a desenvolver-se rapidamente. Dados da Associação Indonésia de Provedores de Serviços de Internet (APJII) mostram que o número de usuários da Internet chegará a 229 milhões em 2025, com uma taxa de penetração superior a 80%. No entanto, por detrás deste aumento da conectividade, reside a ironia de um declínio bastante preocupante da literacia digital, que se registou em 49,28 pontos no mesmo ano. Esta condição enfatiza ainda mais a cautela necessária na formulação de políticas relacionadas à informação. (IMPRENSA)



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